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domingo, 18 de julho de 2010

Incomodo

E então incomodo!

Sou a nau dos loucos que me acompanham.

E quando aponto alguma direção, na verdade estou adernando

Na verdade, submergindo pra ir mais fundo

Profundo

A embarcação gigante agora à deriva

Afundo, ao fundo, outro mundo

Incomodo aos poucos que me seguem

Nas tremendas passagens sem rumo

Aos poucos, aos loucos.

Sou, também, naufrago roto no mar dos descabidos

Dos certos

Estes que esperavam de mim um norte, um sorriso aberto

E eu sorrio!

Deixo, nem que seja, uma rota de colisão

E sorrio!

Mas as águas invadem minha boca

E a voz tremula e ainda rouca é pouca pra tanta vontade de dizer

Minha turba esperava que eu, brilhantemente, singrasse os mares e os guiasse

Mas simplesmente, sem poder soltar o verbo

Impossibilitado, ainda que tentando,

Afundo num mar revolto

E agora, monolito

Visito as profundezas, sem pesar

Sentindo somente o silêncio do mundo

Me integrando a tudo.

E aos certos

Aqueles certinhos

Quando pensam que nada sou

Venho à tona

Encharcado e renovado

E então, incomodo!

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