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terça-feira, 20 de julho de 2010

Texto de Márcia Britto(Irmã)

Eu gosto de gente grande, gente larga, gente espaçosa por dentro.
Gente com varanda, cobertura, pátio e vista.
Gente ampla, gente “latifúndia” – produtiva ou não.
Gente crescida e crescente, gente expandida, expansiva.
Gente onde cabe gente dentro.
Gente em que a gente pode deitar e rolar.
Gente com espaço para amar.

domingo, 18 de julho de 2010

Dentro Dela

Dentro da blusa dela

Tem um negócio que mexe

Com pujança

Com seus passos

Mexe quando

Passo

Eriçado

Dentro da blusa dela

Tem um negócio que mexe

Mexe

Com a minha libido

Com meu grito

Primitivo

Tensão.

A tensão

Te fito

Dentro daquela blusa

Tem um negócio que mexe

Sobe e desce

Nela

Pra ela

A turba também enlouquece

Estremece

Bela!

Colo (Depressão entre duas elevações, caracterizada por ser mais larga que os desfiladeiros e gargantas),

Seios,

Teu coração.

Incomodo

E então incomodo!

Sou a nau dos loucos que me acompanham.

E quando aponto alguma direção, na verdade estou adernando

Na verdade, submergindo pra ir mais fundo

Profundo

A embarcação gigante agora à deriva

Afundo, ao fundo, outro mundo

Incomodo aos poucos que me seguem

Nas tremendas passagens sem rumo

Aos poucos, aos loucos.

Sou, também, naufrago roto no mar dos descabidos

Dos certos

Estes que esperavam de mim um norte, um sorriso aberto

E eu sorrio!

Deixo, nem que seja, uma rota de colisão

E sorrio!

Mas as águas invadem minha boca

E a voz tremula e ainda rouca é pouca pra tanta vontade de dizer

Minha turba esperava que eu, brilhantemente, singrasse os mares e os guiasse

Mas simplesmente, sem poder soltar o verbo

Impossibilitado, ainda que tentando,

Afundo num mar revolto

E agora, monolito

Visito as profundezas, sem pesar

Sentindo somente o silêncio do mundo

Me integrando a tudo.

E aos certos

Aqueles certinhos

Quando pensam que nada sou

Venho à tona

Encharcado e renovado

E então, incomodo!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Raiva


Tenho raiva

Tenho raiva de muita coisa

Não de tudo

Tenho raiva

De tudo que não compreendo

De tudo que demora

De tudo que não me espera

Tenho raiva

Tenho raiva do elevador social

Que é desligado durante o dia

Me obriga a fazer uma grande volta

Tenho raiva

Tenho raiva daquilo que não entendo

De não ser compreendido

Dos incapazes

Tenho raiva

Tenho raiva de quando não adivinham o que quero

(E isso é um problema meu)

Minha namorada

Meus relacionamentos

Tenho raiva

Tenho raiva dos falsos artistas

Tenho raiva de artista

a palavra

Tenho raiva

Tenho raiva da falsa inteligência

Tenho raiva de intelectuais

Lacônicos

A tal miopia intelectual(dentro e fora)

Tenho raiva

Tenho raiva de quem tem raiva

Só ira

Os idiotas ignorantes

Tenho raiva

Tenho raiva de quem não diz ter raiva

Tenho raiva dos passivos, sem atitude

Conformados, respondidos

Raiva de quem acredita que no amor não existe raiva

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Noite Café

Saio da noite
Pras luzes de mercúrio
Beber algum café
Sons da cidade
Talheres, xícaras
caras
Me adoçam a solidão
Tudo noturno, noturno
Tudo em segundos
Seu prumo
No noturno tudo é combustão
O café do cigarro
A bebida pra nicotina
Lua é noite linda
A cigarra
Tudo é
Combustão!
Toda noite é grisalha
Toda noite é atávica
Toda noite é calada
Embalo o meu café
Possante
Enquanto tu me esperas
E tudo é tão envolvente, pensante
Herméticamente constante
Tudo é
O gato do telhado
Que pousou
Meu café já esfriou