Incomodo
E então incomodo!
Sou a nau dos loucos que me acompanham.
E quando aponto alguma direção, na verdade estou adernando
Na verdade, submergindo pra ir mais fundo
Profundo
A embarcação gigante agora à deriva
Afundo, ao fundo, outro mundo
Incomodo aos poucos que me seguem
Nas tremendas passagens sem rumo
Aos poucos, aos loucos.
Sou, também, naufrago roto no mar dos descabidos
Dos certos
Estes que esperavam de mim um norte, um sorriso aberto
E eu sorrio!
Deixo, nem que seja, uma rota de colisão
E sorrio!
Mas as águas invadem minha boca
E a voz tremula e ainda rouca é pouca pra tanta vontade de dizer
Minha turba esperava que eu, brilhantemente, singrasse os mares e os guiasse
Mas simplesmente, sem poder soltar o verbo
Impossibilitado, ainda que tentando,
Afundo num mar revolto
E agora, monolito
Visito as profundezas, sem pesar
Sentindo somente o silêncio do mundo
Me integrando a tudo.
E aos certos
Aqueles certinhos
Quando pensam que nada sou
Venho à tona
Encharcado e renovado
E então, incomodo!